Matriz Diagnóstica

Sistemas Alimentares Indígenas

Ferramenta construída para compreender, monitorar e fortalecer os sistemas alimentares dos povos indígenas, respeitando seus territórios, culturas e modos de vida.

Cesto com alimentos tradicionais indígenas: peixe, mandioca, milho, abóbora, frutas e farinhas
A Matriz

O que é a Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas

A Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas é resultado de um esforço interinstitucional viabilizado pelo Acordo de Cooperação Técnica nº 32/2024, reunindo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o Ministério da Saúde, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Sua construção contou também com o apoio do Instituto Infinis e do UNICEF, fortalecendo um processo colaborativo voltado à compreensão dos sistemas alimentares dos povos indígenas no Brasil.

Mais do que um instrumento de coleta de informações, a Matriz foi concebida como uma ferramenta de planejamento, gestão e articulação intersetorial para atuação em territórios indígenas.

Publicação da Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas cercada por alimentos tradicionais

O que motivou a construção da Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas?

O Estado brasileiro ainda carece de dados territoriais e de ferramentas específicas capazes de identificar precocemente sinais de risco de insegurança alimentar e nutricional em territórios indígenas. A emergência sanitária e humanitária que acometeu o Território Indígena Yanomami (TIY) levou à declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) (BRASIL, 2023), em decorrência da desassistência à população Yanomami, que ocasionou uma grave crise sanitária e humanitária. Somaram-se a esse quadro alarmante a destruição das florestas e a contaminação dos rios em diversas regiões do TIY, provocadas pela invasão garimpeira. Esse cenário tornou explícita a necessidade de ações para identificar precocemente situações de risco de insegurança alimentar e nutricional que possam ser revertidas a tempo de evitar novas crises.

A garantia da segurança alimentar e nutricional (SAN) dos povos indígenas exige olhar para os sistemas alimentares em sua integralidade, isto é, para as relações entre território, biodiversidade, água, clima, modos de produção, circulação, acesso, preparo e consumo culturalmente referenciado. A garantia de SAN requer respostas emergenciais quando necessárias, mas, sobretudo, ações estruturais que reconheçam e fortaleçam a cultura e a soberania alimentar indígena. O objetivo não é apenas assegurar que haja alimento, mas viabilizar que as comunidades tenham acesso, de forma autônoma, a alimentos tradicionais e saudáveis, com condições para manter, recuperar e reproduzir seus sistemas alimentares. Isso depende diretamente da proteção do território, das águas e dos modos próprios de produção, processamento e consumo.

É nesse contexto de necessidade de fortalecer diagnósticos territorializados e culturalmente referenciados que a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan)1 toma a iniciativa de formalizar uma cooperação técnica2 intersetorial para elaborar e disponibilizar uma ferramenta de apoio ao diagnóstico local dos sistemas alimentares em territórios indígenas, resultando na concepção da Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas.

Metodologia

Processo de construção

A Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas é um instrumento inovador orientado à soberania e à autonomia alimentar, capaz de diagnosticar fatores que afetam os sistemas alimentares nos territórios, abrangendo alimentação, produção, processamento, água e energia, geração de renda, mudanças climáticas e interface com programas públicos. O processo de construção foi participativo e iterativo, combinando validação técnica, contribuições de colaboradores externos e oficinas presenciais de escuta em comunidades indígenas, com revisões sucessivas do instrumento. Dessa forma, rompe com a lógica de diagnósticos padronizados “de cima para baixo” e traduz conhecimentos do território em informações que podem orientar políticas públicas. O protocolo de aplicação da Matriz propõe que o diagnóstico seja respondido coletivamente por pessoas-chave das comunidades indígenas.

Um levantamento amplo da literatura e da documentação indexada em âmbito nacional, latino-americano e internacional indicou a ausência de um instrumento com esse propósito e com aderência aos modos de viver e produzir dos povos indígenas brasileiros. A Matriz foi concebida para apoiar a identificação de demandas e a orientação de ações intersetoriais de proteção, promoção e garantia da SAN, com capacidade de antecipar riscos e reduzir a probabilidade de emergências que comprometam a vida, a saúde, a nutrição e os modos de viver, a partir do conhecimento, da manutenção, da preservação e da recuperação dos sistemas alimentares locais.

Dimensões analisadas

O que a Matriz analisa.

Uma visão integrada dos fatores que influenciam os sistemas alimentares indígenas e a segurança alimentar nos territórios.

  • 01

    Alimentação

    Hábitos, consumo e acesso aos alimentos na comunidade.

  • 02

    Produção de alimentos

    Formas de cultivo, coleta, caça, pesca e manejo tradicional.

  • 03

    Água e energia

    Disponibilidade de recursos essenciais para a vida e a produção.

  • 04

    Geração de renda

    Atividades econômicas que contribuem para o sustento das famílias.

  • 05

    Mudanças climáticas

    Impactos ambientais percebidos no território e na alimentação.

  • 06

    Programas governamentais

    Acesso a políticas públicas, benefícios e serviços do Estado.

  • 07

    Processamento de alimentos

    Práticas de preparo, conservação e transformação dos alimentos.

  • 08

    Identificação comunitária

    Características sociais, culturais e territoriais da comunidade.

Potencialidades e resultados esperados

A participação indígena esteve presente em todas as etapas do processo, garantindo que saberes tradicionais, práticas culturais e realidades territoriais fossem incorporados ao instrumento.

Liderança indígena ao lado de cestos com frutas e alimentos tradicionais

Potencialidades

A Matriz Diagnóstica é uma tecnologia social com potencial de ir além da coleta de dados estatais.

  • Pode qualificar a capacidade do poder público de monitorar riscos, priorizar territórios e orientar ações intersetoriais.
  • Pode transformar diagnóstico em governança e ação, com protagonismo indígena e efetividade institucional, contribuindo para a identificação precoce de riscos de insegurança alimentar e nutricional.
  • Pode e deve ser apropriada pelas próprias comunidades e organizações indígenas como instrumento de gestão do território, monitoramento de seus sistemas alimentares, defesa de sua soberania alimentar e proteção de seus modos de produzir e viver, inclusive em contextos de baixa presença do Estado.
  • Tem potencial para orientar planos intersetoriais de ação local, a partir do diagnóstico obtido, que busquem superar os problemas identificados e propor formas de agir e intervir compatíveis com os modos de vida e de produção dessas populações.

É recomendável a formação de multiplicadores indígenas e não indígenas para aplicação e implementação da Matriz e realização do diagnóstico em comunidades indígenas.

Resultados esperados

  • Ampliação do conhecimento sobre sistemas alimentares e modos de produção tradicionais, a fim de orientar políticas públicas de promoção da SAN em territórios indígenas.
  • Ampliação do conhecimento sobre a insegurança alimentar e nutricional em territórios indígenas e seus determinantes.
  • Fortalecimento da atuação intersetorial para promoção da SAN em territórios indígenas.
  • Identificação de experiências bem-sucedidas de recuperação, preservação ou manutenção de sistemas alimentares tradicionais ou mistos.
  • Monitoramento dos sistemas alimentares por meio do instrumento diagnóstico.
01

Desafios

Produção, coleta, pesca, caça, cultura, território e transmissão de saberes formam uma rede interligada. Os métodos tradicionais de pesquisa não conseguem captar toda a complexidade dos sistemas alimentares indígenas.

02

Resposta

A Matriz Diagnóstica foi criada para compreender como os povos indígenas produzem, acessam, compartilham e protegem seus alimentos. Também apoia políticas públicas e fortalece a autonomia das comunidades.

03

Números

  • 68especialistas envolvidos
  • 96,22%de concordância técnica
  • 03territórios de validação
  • 08dimensões analisadas
04

Protagonismo

Desenvolvida com participação indígena, a Matriz incorpora saberes ancestrais, práticas tradicionais e diferentes contextos territoriais. É uma ferramenta construída a partir da experiência e da realidade dos próprios povos.

Construção coletiva

Construção Coletiva.

A Matriz foi construída por meio da colaboração entre equipes técnicas, instituições públicas e representantes indígenas de diferentes territórios do país.

Coordenação e Equipe Técnica

Organização, coordenação, supervisão, elaboração de texto, revisão, projeto gráfico e colaboração técnica interinstitucional.

Colaboradores Internos e Externos

Profissionais e especialistas que participaram das etapas de validação da Matriz Diagnóstica.

Oficinas em Comunidades Indígenas

Três oficinas realizadas em Cerrado/Pantanal, Amazônia e Caatinga, com escuta direta das comunidades.

Publicações

Documentos para download

Acesse os materiais oficiais da Matriz Diagnóstica de Sistemas Alimentares Indígenas.

Notícias

Da floresta à mesa, sistemas vivos de cuidado.

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Saberes ancestrais
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PAA Indígena · Alto Rio Purus
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